Blog do Prof Fernando Dias Andrade


Recomendações para o Trabalho escrito

18/06/2008 10:04:09

Caros alunos da UC Teoria do conhecimento I,

            As notas do Trabalho 1 (sobre Descartes) ainda devem demorar um pouco a sair, correndo mesmo o risco de serem divulgadas só no prazo oficial (julho). Os problemas são muitos e as anotações também são várias.
            De qualquer modo, adianto observações que valem em geral para todos, e que devem ser levadas em consideração agora, na finalização do Trabalho 2 (sobre Espinosa):
            Atenham-se ao tema. Muitos fizeram a dissertação sobre Descartes sem mostrar que sabiam do que estavam falando. O tema da dissertação sobre Descartes era a validade, a partir das Meditações metafísicas, da idéia de que o método é necessário para a verdade. No trabalho 2, o tema é a validade, a partir da parte II da Ética, da idéia de que o verdadeiro é índice de si mesmo e do falso. Não se trata de fazer uma dissertação que caminhe para qualquer lado, mas sim de efetivamente dar solução ao problema que é colocado pelo tema. O que quero saber, no trabalho 2, é o que Espinosa entende por essa afirmação segundo a qual “O verdadeiro é índice de si mesmo e do falso” e, também, como isto está posto na parte II da Ética.
            Sejam claros. Importa menos realizar um texto bonito e mais chegar a um texto claro. De nada adianta escrever um texto retoricamente ousado e não apresentar reflexão e esclarecimento do tema proposto. Lembrem-se do ideal de clareza e distinção elogiado por Descartes.
            Expliquem os conceitos. Uma das tarefas obrigatórias de uma dissertação de Filosofia é explicar os conceitos discutidos. Se o tema do Trabalho 2 é esse, a dissertação deveria explicar com clareza o que são, para Espinosa, a verdade, o verdadeiro, o falso, a idéia verdadeira, e assim por diante.
            Cuidado com os conceitos. Um dos maiores problemas verificados no Trabalho 1 é que muitos de vocês tentam dizer coisas a respeito da verdade e do método em Descartes sem saberem o que é seja a verdade, seja o método, em Descartes. Saibam o que significam os termos que utilizam. Não utilizem termos de cujo sentido ainda não se sintam seguros (o termo não fará sentido no texto). Não se trata de evitar falar desses termos, e sim de estudar o seu significado a fim de poder explicá-los. Filosofia é isto.
            Expliquem o texto do filósofo. Ler um filósofo é, também, analisar seu texto, explicar seu texto. Apresentar opiniões ou considerações genéricas sobre o que parece ser o pensamento do autor lido de nada adianta para conhecê-lo ou fazê-lo conhecer. Levem a sério a idéia de que aqui fazemos leitura de texto e tornem o próprio texto de vocês um instrumento de leitura e explicação de um texto filosófico.
            Estudem os comentadores. Além do próprio filósofo, sempre há comentadores que estudaram aquele mesmo problema. Aqui também se trata de investigar quem seriam esses comentadores (exemplo: os citados na bibliografia do plano de ensino) e identificar o que cada um disse sobre aquele problema. Algo que se valoriza muito seja num artigo, numa dissertação, num seminário, num projeto, é o talento do estudante em identificar o que outros disseram e resolveram sobre aquele assunto, e melhor ainda se for sobre aquele mesmo trecho do texto do filósofo.
            Provem o que alegam. Ou seja, sempre que alegarem que o filósofo estudado ou que o comentador pesquisado disse isso ou aquilo, provem-no, fazendo tanto a citação (no limite do que for pertinente) e, também, apresentando a devida referência em nota de rodapé (é imperativo citar a localização no livro). Ao final da dissertação, deverá ser apresentada a bibliografia citada, ou seja, não a bibliografia que vocês alegam ter lido, e sim a bibliografia que efetivamente foi lida, tanto que está sendo citada no interior da dissertação.
            Valorizem a reflexão. Não se trata de fazer, dessa tarefa de leitura do filósofo, um trabalho mecânico. Ao lado de apresentar o que o filósofo pensa e o que os comentadores dizem dele, trata-se também de fazer a sua própria reflexão. Mas por reflexão, aqui, entenda-se não uma fantasia criativa ou imaginativa, e sim uma reflexão rigorosa. Filosofia também é isto. No texto, a reflexão pode estar presente tanto de ponta a ponta quanto pode comparecer em momentos separados daqueles em que se objetiva empreender efetivamente a análise do texto. Cada um faz de um jeito. Mas é valoroso mostrar que se procura exercitar a própria reflexão de maneira que ela seja pertinente.
            REVISEM O TEXTO. Não entreguem seu texto enquanto contiver um único erro de português ou de estilo. Eu tenho perdido mais tempo corrigindo esses erros de português e de estilo do que com a análise propriamente filosófica do texto. Um texto com erros de português pode se tornar um texto absolutamente sem sentido, e é inaceitável que um aluno na universidade erre ao escrever.
            Estas recomendações valem também para a versão escrita do seminário. E, de modo geral, para tudo o que vierem escrever doravante.
            10:34:13



Escrito por Fernando Dias Andrade às 10:36:15
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