Blog do Prof Fernando Dias Andrade


Um poema de novembro de 1991

f

 

Ouvi:

“Existe Filosofia?”

 

Minha certeza é completa:

com esta pergunta é que devo,

Aqui, começar,

Tudo começar.

Por um momento

(justamente o em que a digo, e note-se, escrevendo-a)

, de imediato me detenho

nos considerares procedentes

, Inevitáveis, todos;

E todos, apesar de oriundos da Certeza mais profunda

(à qual o racionalista experimentado fará questão de nominar,

qual um seguro conceito de crença)

, vêm sem falta,

mas, ainda assim

enquanto uma Dúvida intensa,

que vejo,

Já,

Membros Múltiplos d

O Cerne,

Multiplicar

 

O Cerne: A Dúvida.

(a Dúvida nasce para confirmar sua mãe, a Certeza)

A Certeza.

Verdadeiramente é ela

– A que imperiosamente ouvimos

(Eu que não fui surdo e vocês Que não foram surdos)

: “Existe Filosofia?”

: A fala que de fato deve ser soada:

SOM

: Fenômeno,

diz-se Voz e faz-se

Fato: Certeza

: também ela, O Cerne

 

: A Dúvida: Apesar da Mãe,

Deve mesmo ser assim, desse modo como aqui foi

[, “Existe Filosofia?”]

, ainda que entre aspas,

que pode, ou deve,

ser melhor traduzida em escrito?

, Esta é a solução mais próxima do

Ideal [= ideal Meu]?

(Quanto a isso inquirido, o Filósofo se transforma:

ri e não responde, sem sair do seu lugar;

com isso preservando-se na sua posição funcionarial

e afastando-se de sua situação de Homem.)

 

– O Filósofo!

 

– Procurei-o,

pensando-o um Algo,

de Humanista a Humanitário, e

O que tive foi um nem-homem,

infelizmente.

(: decepção penetrante. grande frustração.

O mau-encontro presenteia com a desconsideração mais vil,

e pelo lado com que lhe procurei com esperança e virgindade,

volto amargurado e derrotado em meus sentimentos.

[– O golpe de cinismo afeta o coração

mas não enfraquece a razão])

O Filósofo.

A Filosofia.

Locados.

Descartados.

 

Fernando Dias Andrade.



Escrito por Fernando Dias Andrade às 00:03:02
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Recomendações para um bom seminário [Parte 2 de 2]

[Continuação da Parte 1 de 2:]

 

            1.6. Preparação do seminário. Esta etapa, posterior à pesquisa, consiste na escrita do seminário que será lido, ou na elaboração de uma aula que será apresentada. Num e noutro caso, pode ser que você tenha de fazer uso de instrumentos de apoio, como projeção de slides ou escrita no quadro. Mas slides e anotações são apenas ilustrações: o principal é o texto a ser lido no seminário ou a aula a ser por todos acompanhada. Nos cursos de Filosofia, é comum e útil preparar um texto a ser lido – dado o caráter dos nossos trabalhos, que nos levam sempre a produzir textos fechados, publicáveis, ainda que tenham sido objeto de debate e incontáveis revisões. O seminário que consiste apenas em anotações e não é registrado de nenhuma maneira (por uma gravação, por exemplo) tende a se perder, o que é muito prejudicial para a memória do próprio grupo em que se desenvolve o seminário. Assim, proponho desde logo que todo seminário que você venha a fazer seja apresentado na forma de um texto, cuja leitura não deve ultrapassar o tempo máximo disponível para a sua apresentação, descontado o tempo reservado para as questões ou o debate. Mesmo quando o seminário é em grupo, vale a pena – e talvez seja até melhor, pois garante maior consistência – apresentar um texto lido. Neste caso, porém, a preparação do texto pode se tornar muito mais demorada e problemática, pois as tarefas de leituras costumam ser divididas e a escrita do texto final, também. É preciso organizar com o máximo de antecedência essa rotina de reuniões e as etapas de elaboração do texto final; como se trata de um trabalho de grupo a ser organizado, é importante que se eleja um líder de grupo, não para falar sozinho, mas simplesmente para administrar essa agenda e o cumprimento das tarefas por todos. Uma outra regra para os grupos de seminaristas, no que respeita à leitura dos textos, é a seguinte: todos os integrantes do grupo devem ler todos os textos que devem ser lidos pelo grupo; de modo algum deve-se pensar em dividir em partes um texto ou conjunto de textos de maneira que cada um leia uma parte e não leia as demais (quase todos os seminaristas de grupo burlam esta recomendação, e o resultado é um grupo que detém uma visão inconsistente do tema do seminário). Sendo, enfim, um texto, não só pode como deve ele trazer o máximo de referências e notas que justifiquem tudo o que se diz nele. As notas normalmente não são lidas – salvo em caso de relevância extrema –, mas são muito importantes para a orientação dos leitores e debatedores do seminário, que preferencialmente já terão recebido o texto antes do dia da leitura (o que lhes permitirá estudar o mesmo assunto com antecedência, e elaborar melhores questões do que aquelas apresentadas no calor da discussão).

            1.7. Ensaio do seminário. A idéia de ensaio é válida principalmente para as apresentações em grupo, mas também é desejável para quem vá falar sozinho. O grupo de seminaristas, uma vez tendo finalizado a elaboração do texto, deve se reunir no mínimo uma vez, dias ou horas antes do seminário, e simular sua apresentação – de preferência, para um público de pessoas que não sejam apenas os próprios seminaristas. Isso permite revisar as questões do seminário, e mesmo o próprio texto. Permite colocar questões, pensar em respostas, que muito provavelmente surgirão no seminário. No caso de seminarista isolado, é recomendável que leia e estude o texto do seu seminário com antecedência, concentrando-se nesse mesmo conjunto de prováveis questões – a serem colocadas pelos debatedores ou por ele mesmo.

            1.8. Disponibilização do material de acompanhamento. Uma vez o texto finalizado verdadeiramente, é preciso disponibilizá-lo com razoável antecedência aos demais colegas que participarão do seminário. Isso é necessário porque receber o texto para a leitura apenas na própria hora do seminário é algo extremamente frustrante, visto que impede elaborar com mais tempo e tranqüilidade questões de maior relevância. É claro que devemos desenvolver essa habilidade de apresentar questões para um texto com cujo conteúdo nos deparamos pela primeira vez exatamente agora (é o que acontece quando assistimos a uma aula ou, principalmente, quando assistimos a uma comunicação, palestra ou conferência), mas o propósito dos seminários é garantir que todos os integrantes do grupo acompanhem a análise do texto, um trabalho que leva meses e no qual todos trocam de papéis – uma vez seminaristas, outras vezes debatedores. É importante mandar o texto por e-mail ou outro expediente até o 24h antes do seminário, para que todos já cheguem com o mesmo lido.

            2. Dia do seminário:

            2.1. Apresentação do seminário em si. Um seminário se divide numa parte expositiva – a da leitura do texto, ou da aula – e uma parte dedicada a questões dos presentes. A experiência mostra que é tempo mais que razoável o período de uma hora para que se apresente a parte expositiva. Em seguida, haveria meia-hora, uma hora, duas horas, dois dias – depende da agenda e do espírito do grupo – para a discussão e apresentação de questões. Um seminário é bem-sucedido quando sua parte expositiva é esclarecedora a respeito do assunto que analisa; já pode parecer maximamente esclarecedor na parte expositiva, mas a parte dedicada às questões sempre traz boas surpresas, e é por isso que é tão importante. Com certeza, um seminário para o qual se estudou maximamente e para o qual se elaborou uma boa versão escrita para a ocasião da leitura é um seminário que provocará uma grande reflexão e, justamente, uma positiva avaliação.

            2.2. Debate a partir do seminário. Há regras também para os debates. A principal é que todos os participantes devem acompanhar as reuniões dos seminários, devem conhecer os textos que já foram debatidos e principalmente este sobre o qual se está discutindo agora. Uma pessoa desavisada dos caminhos por onde vinha passando o grupo de estudos acaba sendo impertinente e prejudicial à qualidade das discussões. É por isso que é importante comparecer ativamente a todos os seminários, e não apenas àqueles em que se ocupa a posição de expositor. As questões também devem ser relevantes: não há nada mais irritante do que alguém que apresenta uma questão só para marcar presença. Questões devem ser suscitadas e apresentadas, mas o objetivo dos debatedores também é o esclarecimento do texto ou do assunto, e não a motivação da polêmica pela polêmica.

            3. Após o seminário:

            3.1. Revisão do seminário para desenvolvimento posterior. Passado o seminário – depois de tanto preparo, ele passa muito rápido –, temos enfim muitas questões novas além daquelas que havíamos proposto, mas também muitas respostas interessantes. O texto do seminário merece revisão, que inclua as questões apresentadas no debate e apresente novos caminhos para se continuar o estudo do mesmo tema sobre o qual já se iniciou um importante percurso. Dele poderá sair um artigo, uma comunicação, uma dissertação, talvez até um projeto de pesquisa. Mas, se simplesmente já ficar como um bom seminário, já merecerá constar do rol de atividades do pesquisador.

            3.2. Registro no currículo Lattes. É por isso que, a meu ver, o acadêmico que cumpriu estas etapas deve, sim, registrar no seu Currículo Lattes cada seminário que apresentou. Eu o faço e recomendo; coloque na seção “Apresentações de trabalho”, subitem “Seminário”.

            Seriam estas as regras básicas para qualquer seminário. É desejável segui-las, mas para isso a própria vida precisa de muita organização. Sai ganhando quem apresenta o seminário e sairão ganhando muito mais todos aqueles que quiserem aprender mais a respeito do tema que é trabalhado pelo seminarista.

            16:07:15



Escrito por Fernando Dias Andrade às 16:32:48
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Recomendações para um bom seminário [Parte 1 de 2]

23/03/2008 16:15:26

 

            Uma aluna, integrante do grupo de estudos de Filosofia do Direito que montei na Unifesp, pergunta-me sobre “qual é a forma que [julgo] ser mais adequada para a elaboração do seminário para o grupo de estudos.” Respondo-lhe:

 

23/03/2008 14:41:03

 

[...]

            Um bom seminário é uma boa aula. Considerando que todo seminário é dialógico (diferente de uma dissertação, que é sempre monológica), você tem que se preparar para apresentar publicamente com bastante clareza, relevância e esclarecimento algum assunto sobre o qual foi estudar – tudo dentro de um certo limite de tempo. Não há um modelo exato de seminário: já assisti tanto a seminários de grupos muito grandes – que mais pareciam um jogral –, quanto a seminários de uma pessoa só que se arrastavam por dias. Pensemos porém num perfil mediano, que contenha elementos que não podem faltar:

            1. Antes do seminário:

            1.1. Objeto do seminário. A escolha do assunto do seminário pressupõe um comprometimento acadêmico: o de considerar que se é capaz de estudar aquele assunto e falar em público a respeito dele. Nem sempre estamos preparados ou com tempo suficiente de nos preparar para estudar dado assunto que será objeto de seminário marcado para certa data. Mas uma vez assumido o desafio, é preciso organizar esse seminário o quanto antes. É preciso estudar os textos que já foram indicados para estudo daquele assunto, será preciso acrescentar informações adicionais – nas quais pensaremos uma vez que já tenhamos iniciado o estudo dos textos originalmente indicados. Quanto mais material lido para o conhecimento do assunto, melhor. Mas cada texto lido deve ser efetivamente ponderado e refletido: não é o caso de ler dez textos sem ponderar nenhum, sendo melhor ler dois que tenham sido efetivamente refletidos – pois serão analisados no seminário. Uma vez definido o objeto e os textos a partir dos quais ele deverá ser estudado, parte-se para a elaboração do conteúdo do seminário.

            1.2. Definição das pessoas envolvidas. O seminário pode ser individual ou em grupo. Não necessariamente o seminário individual é melhor do que o seminário em grupo, porque ambos têm vantagens e desvantagens. A vantagem do seminário individual sobre o seminário em grupo é permitir ao seminarista abordar por completo o objeto, sem precisar contar com o (talvez mau) desempenho dos colegas. A vantagem do seminário em grupo sobre o individual consiste na exigência de uma discussão constante entre os integrantes a respeito do tema, o que pode trazer questões de grande relevância, nas quais o seminarista isolado talvez não viesse a pensar. As desvantagens são equivalentes: o seminário individual pode ser cansativo demais, e o seminário em grupo pode ser um espetáculo de inconsistência. De qualquer modo, se houver mais de um seminarista, trata-se de distribuir tarefas e principalmente agendar os encontros anteriores ao seminário, para discutir o texto lido, para revisar as partes já elaboradas do seminário e, se possível, ensaiar o seminário. Se for seminário individual, deve o seminarista compensar o maior tempo disponível para pensar sozinho o seminário com uma atenção redobrada, pois não terá ninguém ao seu lado para responder às questões. Mas mais importante do que responder às questões é, talvez, preparar o conteúdo do próprio seminário: as questões deverão ser conseqüência dele, e não quaisquer questões desconectadas com o tema ou com a interpretação passada no seminário.

            1.3. Estudo antecipado do assunto que é objeto do seminário. Parece evidente, mas é um passo que deve ser levado muito a sério e com o máximo de antecedência. Normalmente há textos indicados com antecedência para o seminário, inclusive porque o mais das vezes o seminário se constitui numa análise de texto. É importante, pois, ler esse texto e todos aqueles que levam a ele. Se, por exemplo, o seminário é sobre o capítulo 5 de um livro que trata em seqüência de algum assunto, é imprescindível ler todos os capítulos anteriores a esse capítulo 5 antes de lê-lo. A leitura do capítulo 5, porém, exigirá mais trabalho, porque se trata de desvendar a estrutura do texto, o tema do texto, as questões apresentadas por ele como relevantes e as respostas que o próprio autor dá. Em síntese, a análise do texto é nada mais do que isto (é o que faço, por exemplo, no meu despretensioso seminário sobre O conflito das faculdades, que coloquei no meu site: http://grus.sites.uol.com.br/conflitofac.pdf). Quanto maior o texto, mais trabalho dá para ser estudado, é claro. Ideal é que um seminário nunca seja sobre um livro inteiro – ainda que breve –, mas sobre um capítulo ou um artigo, de maneira que seja possível analisá-lo mais detidamente no tempo disponível. Para analisar um livro seria preciso, talvez, um semestre. O estudo do texto que é objeto do seminário pressupõe, ainda, investigar outros textos que tratem do mesmo assunto, seja porque lhe sirvam de base, seja porque respondem a ele, seja porque o assunto é o mesmo, seja porque poderia se propor alguma aproximação entre ambos. Nos seminários sobre os textos de Fassò, por exemplo, seria muito interessante comparar o que ele diz com o que é dito por outros historiadores da Filosofia, além de, é claro, ir atrás dos próprios textos dos filósofos que dele são objeto.

            1.4. Reflexão sobre o assunto. Uma vez conhecidas a estrutura e as questões do texto estudado, é importante refletir sobre elas. De fato, conhecer a estrutura é só a obrigação inicial, para que se saiba onde se está pisando. Uma vez naquele terreno, é preciso tirar o máximo de lá. Do passo anterior você sairá com um mapa do texto, com a listagem dos problemas e conclusões que ele traz. A partir daí, aonde é possível ir? As possibilidades são infindáveis, e é especialmente aqui que cada seminarista mostra o seu principal valor. Aqui você deve pensar na importância filosófica do texto, no seu poder de suscitar novas questões, na sua viabilidade e atualidade enquanto texto que ainda mereça ser lido hoje. Aqui, também, você pensa os temas de interesse não apenas do autor, mas os seus próprios. Analisando um texto sobre o amor e o ódio ao príncipe segundo Maquiavel, por exemplo, você pode, ao lado de expor o raciocínio maquiaveliano, desenvolver uma reflexão sobre os afetos em Maquiavel, sobre a racionalidade ou não da maneira como Maquiavel tematiza os afetos, sobre como Maquiavel repercute ou não as teorias afetivas da renascença, sobre como ele pode servir de referência para pensadores contemporâneos ou futuros que trabalhem no mesmo sentido – como Hobbes, como Espinosa, como Rousseau. É uma reflexão típica do historiador de Filosofia, ainda. Não se trata, talvez, de sair do autor estudado e perder-se em reflexões desconectadas do tema do seminário – pois o resultado não mais se comunicaria com o assunto estudado, e portanto nada mais esclareceria sobre ele –, mas é importante incluir questões relevantes para o esclarecimento ou desenvolvimento do tema que o próprio autor talvez não tenha explicitado ou não tenha notado. Esta etapa também encerra a pesquisa prévia para o seminário; é preciso encerrar o trabalho de pesquisa em algum momento, ou nunca se começa a escrever o seminário em seu formato apresentável.

            1.5. Concepção do seminário. Conhecida a estrutura do texto e iniciada uma reflexão sobre ele, é preciso pôr tudo numa espécie de roteiro. Você não apenas tem um prazo para elaborar seu seminário, como terá um prazo para falar. Independente de ser o seminário lido ou não, a fala apresentada deve ser clara na linguagem, focada no objeto, esclarecedora da estrutura do texto analisado e, principalmente, instigadora à discussão e à reflexão. E tudo isso começa com a elaboração de um roteiro de seminário, equivalente a um plano de aula. Você deve elencar os temas e questões que deverão ser tratados. Digamos, por exemplo, que o assunto seja o Prefácio do livro de Fassò (texto que passei a todos os integrantes de nosso grupo, mas que não será objeto de seminário). Um roteiro inicial poderia ser: Identificação do texto; Apresentação da divisão do texto, de seus momentos argumentativos; O projeto de uma História da filosofia do direito; Distinção entre Filosofia do direito e Filosofia, segundo Fassò; Distinção entre História da Filosofia do direito e História da Filosofia, segundo Fassò; Condições para a elaboração de uma História da Filosofia do direito; Perspectivas metodológicas do projeto de Fassò; Divisão da História da Filosofia do direito segundo Fassò; Relação de Fassò e outros filósofos do direito; Relação da História da Filosofia do direito de Fassò e outras obras relevantes, do período ou anteriores; Importância da obra de Fassò após quarenta anos de sua aparição, etc. São temas que são dados pela estrutura do texto, pelo conteúdo do texto e pelas reflexões a respeito do conteúdo do texto. É o temário mínimo, diria eu, que poderia ser apresentado a respeito do Prefácio da sua História da Filosofia do direito. Uma vez preparado esse roteiro, é o caso de elaborar discursivamente o seminário.

 

[Continua na parte 2 de 2...]



Escrito por Fernando Dias Andrade às 16:29:53
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